O roteiro que fez a Justiça dos Estados Unidos denunciar dirigentes da Concacaf e da Conmebol, no fundo, é parecido para cada um dos 14 nomes que integram a lista junto com os brasileiros Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira. Uma narrativa de propinas, extorsões e transferências bancárias duvidosas permeia o relatório de 236 páginas divulgado pela Procuradoria norte-americana após o pronunciamento que confirmou o indiciamento dos cartolas no processo que investiga a corrupção no mundo do futebol. Basicamente, todos têm a mesma acusação: fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e corrupção. O que os diferencia é a área na qual atuaram. Os dirigentes sul-americanos são citados em esquemas criminais (são 22 ao todo no relatório) relacionados à venda de direitos de transmissão e patrocínio da Copa América, incluindo a versão Centenário, marcada para 2016, e da Libertadores. Manuel Burga (Peru), Carlos Chávez (Bolívia), Luís Chiriboga (Equador) e Juan Ángel Napout (Paraguai) foram presidentes das federações de futebol de seus respectivos países. Nesta condição, teriam recebido propinas de empresas como Torneos y Competencias e Traffic para que as apoiassem em disputas de direitos de transmissão. A Torneos é a responsável pela Libertadores, e a Traffic, pela Copa América. A eles se juntam ex-funcionários da Conmebol, como José Luis Meiszner, Eduardo Deluca e Romer Osuna. Napout foi preso nesta quinta-feira, em Zurique, onde estava para uma reunião do Comitê Executivo da Fifa, do qual ele é membro. Ele havia assumido a presidência da Conmebol em agosto de 2014. Hawit, campeão de acusaçõesOutro dirigente preso nesta quinta, Alfred Hawit, presidente da Concacaf, é o que tem a maior lista de acusações. Além dos crimes comuns a todos os denunciados, ele também terá de responder por tentativa de obstrução da justiça. Segundo o relatório, ele teria tentado atrapalhar uma investigação contra Jeffrey Webb, seu antecessor na Concacaf, preso na primeira fase da operação, em maio. Entre seus atos, estaria a tentativa de persuadir testemunhas de modo a influenciar no depoimento delas. Logo ao assumir a Concacaf, Hawit teria se envolvido num esquema de propinas para que a Full Play fosse escolhida a empresa responsável pelos direitos de transmissão da Copa Ouro. Além dele, outros dois dirigentes participaram da negociação: Ariel Alvarado e Rafael Salguero, ex-presidentes, respectivamente, das federações de futebol do Panamá e da Guatemala.


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